Connect with us
topodoportal

Saúde

Fortaleza lança pacotes para enfrentar o El Niño

Published

on

Fortaleza apresentou um pacote de ações emergenciais para prevenir e reduzir os impactos climáticos associados ao fenômeno El Niño. O plano prevê mudanças na gestão de riscos, ampliação do monitoramento meteorológico e medidas na área da saúde para preparar a cidade diante de eventos extremos.

As ações são coordenadas pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza, Ipplan, pela Defesa Civil de Fortaleza e pela Secretaria Municipal da Saúde, SMS. O trabalho envolve ainda outras entidades municipais, estaduais e federais, além de organizações da sociedade civil e instituições de ensino.

O presidente do Ipplan, Artur Bruno, afirmou que a integração entre diferentes setores é importante para melhorar a preparação da cidade. Segundo ele, 32 entidades municipais participaram das discussões que deram origem ao conjunto de medidas.

“32 entidades municipais vêm se reunindo há várias semanas para construir esse conjunto de ações. Estabelecemos um grupo de trabalho e, a partir dele, apresentamos uma série de ações que vamos colocar em prática nas próximas semanas. Também temos uma parceria muito forte com as universidades, entidades técnicas, a Fiocruz e o Governo Federal. Esse trabalho vai nos dar um quadro mais preciso dos riscos climáticos e melhores condições para agir, seja com um alerta de calor, diante de uma chuva excessiva ou de outros eventos que possam afetar a cidade”, afirmou.

Entre as medidas está a criação do Comitê de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, COE El Niño. A estrutura será responsável pelo planejamento, monitoramento e coordenação das respostas diante de possíveis eventos climáticos. A proposta é reduzir riscos de desastres, perdas econômicas e impactos sobre serviços essenciais, com atenção especial às áreas e populações mais vulneráveis.

A Prefeitura também anunciou o Plano de Contingência de Enfrentamento ao El Niño, Plancon El Niño. O documento deverá estabelecer procedimentos para alertas e mobilização de diferentes setores. A estratégia envolve secretarias municipais, empresas responsáveis por serviços públicos, órgãos estaduais e federais e representantes da sociedade civil.

O plano considera situações como chuvas intensas, inundações, erosão costeira, ondas de calor, estiagens e incêndios urbanos.

Outra medida prevista é a criação da Política Municipal de Proteção e Defesa Civil de Fortaleza. A proposta será estruturada a partir do Sistema Municipal, do Conselho Municipal e do Fundo Municipal. Entre as medidas estão o mapeamento das áreas de risco, a criação de mecanismos para agilizar alertas, a participação social na definição de ações preventivas e a garantia de recursos para a gestão de riscos.

O coordenador da Defesa Civil de Fortaleza, coronel Haroldo Gondim, destacou que a integração das informações deve melhorar a capacidade de resposta do Município.

“Com essa integração de dados e de informações, melhoramos a capacidade de monitoramento e podemos ter melhores tomadas de decisão, o que faz a diferença para salvaguardar pessoas, animais e as estruturas patrimoniais. O objetivo é também melhorar a comunicação de risco, levando informação principalmente às pessoas que mais precisam saber como agir, a quem procurar e como se proteger diante dos possíveis efeitos do El Niño”, afirmou.

Fortaleza também pretende ampliar a estrutura de monitoramento das condições climáticas. Por meio da Parceria por Cidades Saudáveis, PHC, a cidade terá novas ferramentas para acompanhar temperaturas e outros indicadores relacionados ao clima e à saúde.

A previsão é que dez novas estações meteorológicas sejam entregues em setembro. Elas serão acrescentadas às 11 estações instaladas no último ano. Com a ampliação, a cobertura chegará a 69,21% da área urbana de Fortaleza.

Os equipamentos registram informações como temperatura, chuva, umidade, velocidade dos ventos, radiação ultravioleta e pressão atmosférica. Os dados serão disponibilizados no Observatório de Riscos Climáticos.

Segundo Haroldo Gondim, o monitoramento será ampliado principalmente em regiões identificadas como mais quentes. A Defesa Civil aponta que áreas periféricas e mais adensadas podem apresentar maior dificuldade de circulação de ar por causa das características das construções.

“Mapeamos locais em Fortaleza considerados mais quentes, principalmente regiões mais periféricas e mais adensadas, com padrões construtivos que muitas vezes prejudicam essa ventilação. Com isso, todos os bairros serão monitorados. Após o período do El Niño, as estações e os instrumentos de medição climática continuarão em funcionamento”, explicou.

Outra medida prevista para outubro é o Protocolo de Calor e Saúde. O documento foi elaborado por 32 órgãos municipais e especialistas da Universidade Federal do Ceará, UFC, Universidade Estadual do Ceará, UECE, Universidade de Fortaleza, Unifor, Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz, e Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, Funceme.

O protocolo estabelece cinco níveis de risco, que vão do monitoramento à resposta ampliada. As orientações incluem medidas para reforçar o atendimento nas unidades de saúde, criação de espaços para proteção contra o calor, pontos de hidratação e cuidados com trabalhadores expostos ao sol e pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

Também está previsto para outubro o lançamento do Painel de Calor e Saúde. A ferramenta terá acesso público e reunirá dados meteorológicos, imagens de satélite e informações sobre atendimentos realizados pela rede municipal de saúde. Os dados serão disponibilizados no Observatório de Riscos Climáticos.

A secretária Municipal da Saúde, Riane Azevedo, afirmou que a área da saúde está preparando a rede municipal para responder aos efeitos das altas temperaturas.

“Esta sala de monitoramento terá uma equipe que vai trabalhar junto com o Ministério da Saúde. Teremos epidemiologistas, meteorologistas e cientistas de dados que vão fazer todas essas análises e produzir relatórios que contribuirão para a definição de estratégias para mitigar os impactos das condições climáticas na saúde da população”, disse.

Segundo Riane, os profissionais da saúde receberão orientações para identificar e tratar casos relacionados ao calor, como insolação, hipertermia e desidratação. A medida busca reduzir o risco de complicações que possam atingir os rins e o sistema cardiovascular.

A Defesa Civil já conta com um sistema de alertas integrado ao Sistema Nacional de Defesa Civil e ao Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, Cemaden. O serviço permite o envio de orientações preventivas à população por SMS.

Entre setembro e dezembro, a Prefeitura pretende ampliar as ações presenciais nas regiões consideradas mais vulneráveis. Agentes da Saúde e da Defesa Civil deverão atuar em pontos estratégicos e assentamentos precários para orientar moradores, coletar informações e reforçar os cuidados diante dos riscos climáticos.

Fortaleza também foi escolhida para receber uma base descentralizada da Força Nacional do SUS. A iniciativa faz parte da estratégia federal de adaptação às mudanças climáticas, dentro do programa Adapta SUS.

A estrutura poderá apoiar estados e municípios em situações de emergência de saúde pública. Quando acionadas, as equipes terão capacidade de deslocamento em até 24 horas.

Em junho deste ano, Fortaleza recebeu uma oficina regional com representantes dos estados do Nordeste para discutir planos de ação voltados à prevenção e ao enfrentamento dos impactos do El Niño.