Fortaleza
Esgoto no mar de Fortaleza pode contaminar o ar na orla, revela estudo

Pesquisadores do Labomar identificaram bactérias intestinais humanas flutuando na atmosfera do Mucuripe (Créditos da Imagem: Pexels)
Uma pesquisa da Universidade Federal do Ceará (UFC) revelou que a poluição causada pelo descarte de esgoto no mar de Fortaleza está atingindo a população por uma via invisível e pouco perceptível: a respiração. O estudo comprovou a presença de bactérias de origem intestinal humana flutuando no ar da orla sob a forma de bioaerossóis – partículas microscópicas lançadas na atmosfera pelo impacto das ondas e pelo estouro das bolhas na água do mar.
As coletas foram realizadas por técnicos do Instituto de Ciências do Mar (Labomar/UFC) em pontos próximos à foz do Riacho Maceió, no bairro Mucuripe, englobando os períodos de seca e de chuva. As análises laboratoriais apontaram uma presença contínua de enterobactérias, microrganismos que habitam o intestino humano e indicam contaminação fecal.
De acordo com o levantamento, mais de 70% das bactérias identificadas na água também estavam presentes no ar, confirmando que a poluição marítima interfere diretamente na qualidade da atmosfera local.
Para os autores da pesquisa, os achados reforçam a urgência de investimentos em saneamento básico integrado e no combate severo às ligações clandestinas, como estratégia fundamental para proteger a saúde dos moradores e turistas que frequentam a orla de Fortaleza.