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Bets tem crescimento no período de Copa; especialistas orientam sobre a saúde mental dos apostadores

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O ambiente da Copa do Mundo de 2026 vai além do campo e da disputa esportiva. Em meio ao crescimento do torneio e à ampliação de sua audiência global, chama atenção a forte presença das plataformas de apostas esportivas, que ganharam espaço expressivo nas transmissões, na publicidade e na cobertura do evento. O avanço desse mercado durante o Mundial tem sido motivo de preocupação entre especialistas em saúde mental, que alertam para a possível normalização do jogo de azar e seus impactos sociais.

Publicidade de apostas ganha força durante o Mundial

Com a enorme audiência da Copa do Mundo, o setor de apostas esportivas ampliou sua participação entre os principais anunciantes do torneio. Levantamentos do mercado de marketing digital indicam que o número de empresas do segmento envolvidas na competição cresceu de forma significativa em relação a edições anteriores.

A presença dessas marcas se espalha por diferentes formatos: placas em estádios, comerciais na televisão, ativações digitais e conteúdos integrados à programação esportiva. Em alguns casos, até mesmo análises de probabilidades e estatísticas relacionadas às apostas passaram a aparecer em blocos patrocinados durante transmissões de jogos.

Especialistas alertam para risco de normalização do jogo

Profissionais da área de psiquiatria e saúde mental apontam que a exposição repetida a anúncios de apostas pode influenciar diretamente o comportamento dos espectadores. Segundo especialistas, quanto maior o contato com esse tipo de publicidade, maior tende a ser o interesse e a experimentação.

A preocupação é ainda maior em relação ao público jovem, considerado mais vulnerável ao desenvolvimento de comportamentos de risco. A combinação entre alta exposição digital e facilidade de acesso às plataformas pode contribuir para o aumento de casos de dependência.

Crescimento no número de apostadores durante a competição

Dados de empresas que monitoram transações financeiras digitais indicam um aumento expressivo no número de brasileiros que passaram a realizar apostas esportivas durante o período da Copa do Mundo.

Além disso, também foi registrado crescimento no valor médio depositado por usuário nas plataformas, especialmente em dias de jogos de grande audiência. Em partidas decisivas, o volume de movimentação tende a atingir picos ainda mais elevados.

Mecanismos das plataformas estimulam uso contínuo

Especialistas em psicologia explicam que as plataformas de apostas utilizam estratégias que incentivam o uso frequente, como bônus, promoções, apostas gratuitas e notificações constantes.

Esses mecanismos estão diretamente ligados ao sistema de recompensa do cérebro, responsável pela sensação de prazer e motivação. A expectativa de ganho imediato pode reforçar o comportamento repetitivo, mesmo em situações de perda financeira.

Outro fator que chama atenção é a variedade de modalidades oferecidas. Além do resultado final dos jogos, os usuários podem apostar em eventos específicos, como número de cartões, escanteios, faltas e outras situações durante a partida. Isso amplia o número de apostas possíveis por jogo e intensifica o engajamento.

Futebol e emoção favorecem engajamento com apostas

Especialistas destacam que a forte ligação emocional entre o público e o futebol contribui para a naturalização das apostas esportivas. Durante a Copa do Mundo, o ato de apostar pode ser percebido como parte da experiência de torcer.

Esse cenário pode reduzir a percepção de risco, já que a prática passa a ser associada ao entretenimento esportivo. A presença de figuras públicas em campanhas publicitárias, como narradores, ex-jogadores e influenciadores, também reforça essa normalização.

Sensação de controle pode ser ilusória

Outro ponto levantado por especialistas é a crença de que conhecimento sobre futebol aumenta as chances de acerto nas apostas.

Muitos torcedores acreditam que estatísticas, histórico de equipes e desempenho de jogadores são suficientes para prever resultados. No entanto, profissionais reforçam que as apostas continuam sendo baseadas em aleatoriedade, e não em previsibilidade.

Essa percepção equivocada pode levar ao aumento da frequência das apostas e dificultar o reconhecimento de sinais de risco.

Estratégias para reduzir exposição durante a Copa

Especialistas em saúde mental recomendam algumas medidas para reduzir o contato com estímulos relacionados às apostas durante grandes eventos esportivos:

  • desinstalar aplicativos de apostas;
  • deixar de seguir perfis e páginas que promovem bets;
  • evitar grupos onde o tema é recorrente;
  • reduzir o uso do celular durante os jogos;
  • buscar ambientes neutros para assistir às partidas;
  • controlar o acesso a dinheiro durante o período da competição.

Essas ações ajudam a reduzir gatilhos e a diminuir o risco de envolvimento excessivo com apostas.

Sinais de alerta para possível dependência

O transtorno do jogo pode se manifestar por meio de diferentes comportamentos, como:

  • dificuldade em controlar o impulso de apostar;
  • aumento progressivo dos valores apostados;
  • tentativas de recuperar perdas com novas apostas;
  • prejuízos em áreas pessoais, profissionais ou sociais;
  • ocultação do comportamento;
  • priorização das apostas em detrimento de outras atividades.

Especialistas destacam que o reconhecimento precoce desses sinais é fundamental para a recuperação.

Autoexclusão e apoio psicológico

No Brasil, é possível solicitar o bloqueio voluntário de acesso a plataformas de apostas regulamentadas por meio de sistemas oficiais de autoexclusão. A ferramenta impede o acesso às casas autorizadas por determinado período e tem sido utilizada como forma de proteção por milhares de usuários.

Além disso, profissionais da saúde recomendam a busca por acompanhamento psicológico e apoio familiar ao identificar sinais de perda de controle. Grupos de apoio também são apontados como alternativa importante no processo de recuperação.

Condições associadas aumentam vulnerabilidade

Estudos na área de saúde mental indicam que transtornos como depressão, ansiedade, TDAH, transtorno bipolar e dependência química podem aumentar o risco de desenvolvimento da ludopatia.

Segundo especialistas, o funcionamento cerebral envolvido nesse tipo de dependência é semelhante ao observado em outras formas de vício, com ativação dos sistemas de recompensa e motivação.

Regras para publicidade de apostas no Brasil

A legislação brasileira estabelece que anúncios de apostas esportivas devem ser direcionados apenas a maiores de 18 anos e conter alertas sobre riscos de dependência e prejuízos financeiros.

Também é proibido apresentar apostas como investimento, solução financeira ou fonte de renda garantida, além de restrições à publicidade direcionada ao público infantil e adolescente.

Órgãos reguladores reforçam que o descumprimento dessas normas pode resultar em sanções às empresas responsáveis pelas campanhas.