Ceará
Casos de dengue no Ceará crescem em 2026
O Ceará enfrenta um avanço nos casos de dengue em 2026. Dados atualizados até a 26ª semana epidemiológica apontam 5.347 casos confirmados da doença e 10 mortes, números que já ultrapassam todo o registro de 2025, quando foram contabilizados 4.892 casos e três óbitos.
Além do crescimento no número de infecções, os casos graves também apresentaram aumento. Até o momento, foram confirmadas 27 ocorrências da forma mais severa da doença, contra 10 registradas ao longo de todo o ano passado.
Entre os municípios com maior quantidade de casos confirmados estão Tianguá, com 660 registros, Sobral, com 658, e Fortaleza, com 370 confirmações.
As mortes foram notificadas nos municípios de Beberibe, Caucaia, Eusébio, Fortaleza, Jardim, Juazeiro do Norte, Maracanaú, Sobral e Tianguá. Beberibe concentra dois óbitos, enquanto os demais municípios registraram uma morte cada.
Especialistas em vigilância epidemiológica afirmam que o crescimento da dengue está relacionado a fatores como a sazonalidade da doença, alterações climáticas, aumento da circulação do mosquito transmissor e maior número de pessoas suscetíveis à infecção após um longo período sem grandes epidemias no Estado.
Segundo especialistas, o comportamento da dengue depende da circulação dos diferentes sorotipos do vírus, do nível de infestação do mosquito Aedes aegypti e das condições ambientais, como o acúmulo de água parada e a presença de criadouros.
Apesar da elevação dos casos, técnicos da área de saúde avaliam que o cenário não caracteriza uma epidemia em todo o Estado, mas sim focos de transmissão concentrados em determinadas regiões.
No início do período chuvoso, a Serra da Ibiapaba apresentou crescimento expressivo nas notificações, seguido pela expansão da doença para municípios das regiões Norte, Vale do Jaguaribe e Litoral Leste. Atualmente, Sobral e cidades vizinhas figuram entre os principais polos de transmissão.
Especialistas destacam que a organização da rede de saúde é fundamental para evitar sobrecarga hospitalar. A orientação é que pacientes com sintomas leves sejam acompanhados na atenção básica ou em unidades de pronto atendimento, enquanto casos com sinais de alarme ou complicações recebam assistência em hospitais de referência.
No Vale do Jaguaribe, municípios como Jaguaribe, Jaguaretama, Jaguaribara e Pereiro também apresentam aumento da circulação viral. Em áreas onde há confirmação de surtos, equipes de controle de endemias intensificam ações de bloqueio, incluindo aplicação de inseticida em locais específicos, sempre após confirmação técnica da transmissão.
As autoridades de saúde também reforçaram o monitoramento da infestação do mosquito para direcionar agentes de combate às endemias às áreas de maior risco, realizando inspeções domiciliares e eliminação de criadouros.
Circulação de sorotipos
Atualmente, o Ceará registra circulação predominante dos sorotipos 1 e 2 da dengue, além de ocorrências pontuais do sorotipo 3. Especialistas explicam que a presença simultânea de diferentes variantes exige vigilância constante para acompanhar a evolução da doença.
Embora não exista comprovação de que um sorotipo específico provoque formas mais graves da infecção, estudos indicam que uma segunda infecção por um sorotipo diferente pode aumentar o risco de complicações em alguns pacientes.
Mudanças climáticas alteram comportamento da doença
Outro fator observado pelos especialistas é a mudança no padrão de transmissão da dengue. Tradicionalmente, os casos diminuíam poucas semanas após o fim das chuvas. Nos últimos anos, entretanto, a circulação do vírus tem permanecido por mais tempo, com registros avançando até julho e, em alguns períodos, chegando ao mês de agosto.
O cenário é atribuído, em parte, às mudanças climáticas, que favorecem condições ambientais para a reprodução do mosquito durante períodos mais prolongados.
Além disso, o perfil dos criadouros também mudou. Hoje, os principais focos do Aedes aegypti estão relacionados ao armazenamento inadequado de água dentro das residências e ao descarte incorreto de pequenos recipientes, como tampas, latas, baldes e outros objetos capazes de acumular água.
Diante do aumento dos casos, especialistas reforçam que a participação da população continua sendo essencial para eliminar criadouros, manter reservatórios de água devidamente fechados e procurar atendimento médico ao surgimento de sintomas como febre alta, dores no corpo, dor atrás dos olhos e manchas avermelhadas na pele.