Notícias
Pesquisa aponta os impactos das apostas online entre mulheres brasileiras
As apostas online deixaram de ser apenas uma forma de entretenimento e passaram a fazer parte da realidade financeira de muitas famílias brasileiras. É o que aponta uma pesquisa inédita que analisou a relação das mulheres com as chamadas bets e os efeitos desse mercado dentro de casa.
Segundo o levantamento, 42% das mulheres entrevistadas já apostaram ou ainda fazem apostas. Além disso, 12% afirmam sofrer impactos por causa de familiares ou amigos que mantêm o hábito de apostar.
Na prática, os dados mostram que mais da metade das mulheres no país tem algum tipo de envolvimento direto ou indireto com as apostas online.
O estudo “Mulheres e Bets: o custo das apostas online para as brasileiras e suas famílias” foi elaborado pelo Estúdio Clarice, Estratégia Latina e Instituto Ideia e divulgado nesta segunda-feira (18).
A pesquisa reúne dados de estudos qualitativos e quantitativos realizados em junho e agosto e também investigou o perfil das apostadoras, suas motivações e os reflexos das bets nas relações familiares.
Apostas como alternativa financeira
De acordo com o levantamento, 72% das mulheres que apostam têm filhos. Entre elas, a busca pelo dinheiro das apostas estaria mais relacionada às dificuldades financeiras do dia a dia do que ao desejo de luxo ou ao entretenimento.
Os dados apontam que parte dessas mulheres aposta com a expectativa de conseguir recursos para pagar contas, comprar alimentos ou adquirir produtos para os filhos.
No recorte racial, 45% das apostadoras se declararam pardas, 39% brancas e 37% pretas.
Reflexos dentro da família
Os impactos das apostas também ultrapassam o aspecto financeiro. O estudo aponta que o endividamento pode contribuir para o desgaste das relações familiares e afetivas.
Nesse cenário, as mulheres seriam atingidas de forma ainda mais intensa por frequentemente estarem à frente da administração das despesas domésticas e da organização da vida familiar.
A pesquisa também identificou maior resistência entre as mulheres em relação às apostas online. Enquanto 50% dos homens entrevistados defendem a proibição das bets, o índice chega a 62% entre as mulheres.
Os resultados reforçam o debate sobre os efeitos das apostas online não apenas sobre quem aposta, mas também sobre as famílias que convivem com as consequências desse comportamento.