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Fortaleza registra 25 casos de raiva em morcegos só neste ano; saiba como se proteger

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Fortaleza registrou 25 casos de raiva em morcegos até agosto de 2026, segundo informações divulgadas pela Prefeitura. A presença do vírus entre animais silvestres mantém a necessidade de atenção e acompanhamento das autoridades, embora os registros não indiquem, por si só, um aumento da transmissão da doença entre a população. A Capital cearense não registra casos de raiva humana há 23 anos.

O número contabilizado neste ano é superior ao observado nos cinco anos anteriores. Apesar disso, os dados disponíveis ainda não permitem afirmar isoladamente que houve um aumento da circulação do vírus entre os morcegos que vivem em Fortaleza. A vigilância desses animais em áreas urbanas do Ceará começou em 2010, o que significa que ainda existe uma série histórica relativamente curta para estabelecer uma tendência de longo prazo.

A identificação de morcegos infectados representa principalmente um alerta para cães e gatos, que podem entrar em contato com esses animais e contrair a doença. Caso sejam infectados, os animais domésticos podem posteriormente transmitir o vírus para seres humanos. No Brasil, os morcegos são considerados uma importante fonte de infecção da raiva. Entre 2010 e 2026, foram registrados 54 casos de raiva humana no País, sendo 23 associados a morcegos, conforme dados atualizados em junho deste ano.

A presença de morcegos em regiões urbanas está relacionada às transformações dos ambientes naturais e à expansão das cidades. A redução de áreas de vegetação, as mudanças nos habitats e a ocupação de espaços anteriormente preservados podem aproximar animais silvestres, seres humanos e animais domésticos. Algumas espécies também conseguem se adaptar às áreas urbanizadas em busca de alimento, inclusive aproveitando a concentração de insetos atraídos pela iluminação artificial.

A transmissão da raiva acontece principalmente por meio da saliva de animais infectados, especialmente em mordidas. Entretanto, arranhões e o contato da saliva com ferimentos ou mucosas também podem representar risco. Situações em que uma pessoa tem contato direto com um morcego precisam de atenção mesmo quando não existe uma marca visível na pele.

Um exemplo ocorre quando uma pessoa encontra um morcego dentro do quarto após dormir e não sabe se houve contato durante a noite. Como a mordida desses animais pode ser pequena e passar despercebida, é importante procurar uma unidade de saúde para avaliação da possível exposição e verificar a necessidade de medidas preventivas.

Em caso de mordida, arranhadura ou contato da saliva do animal com ferimentos ou mucosas, o local deve ser lavado imediatamente com água e sabão. Depois, é necessário procurar atendimento médico para avaliação do risco e definição da necessidade de vacinação contra a raiva e, quando indicada, aplicação de soro antirrábico.

A população também deve evitar tocar diretamente em morcegos ou outros animais silvestres, principalmente quando estiverem caídos, apresentarem comportamento incomum ou forem encontrados em locais onde normalmente não aparecem. Ao encontrar um animal nessas condições, a recomendação é manter distância, impedir a aproximação de crianças e animais domésticos e acionar os serviços responsáveis pela vigilância de zoonoses.

A vacinação de cães e gatos continua sendo uma das principais medidas de prevenção. Em Fortaleza, a campanha antirrábica de 2026 foi antecipada e, até 22 de agosto, 215.723 animais haviam sido imunizados. Desse total, 135.785 eram cães e 79.938 eram gatos.

A campanha contempla animais a partir dos três meses de idade e tem como meta imunizar aproximadamente 500 mil cães e gatos até o fim da mobilização, prevista para 30 de novembro. A vacinação ajuda a impedir que o vírus presente no ambiente silvestre chegue ao ciclo doméstico e, posteriormente, alcance a população.

Mesmo com os registros de raiva em morcegos, Fortaleza continua há 23 anos sem casos da doença em seres humanos. A manutenção das ações de vigilância, a vacinação dos animais domésticos e os cuidados diante de possíveis contatos com animais infectados são medidas importantes para reduzir os riscos de transmissão.

No interior do Ceará, o cenário também exige acompanhamento. Em agosto, foram confirmados casos de raiva bovina em uma propriedade rural de Jaguaribe. Após a ocorrência, foram realizadas ações de vacinação entre moradores que tiveram exposição e a captura de morcegos para investigação.

A prevenção permanece fundamental para evitar novos casos. A população deve manter cães e gatos vacinados, não manipular morcegos ou outros animais silvestres e procurar atendimento de saúde sempre que houver suspeita de contato com um animal que possa estar infectado.