Cultura
36ª edição do Cine Ceará inicia neste sábado em Fortaleza
A capital cearense recebe, a partir deste sábado (7), a 36ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema. A cerimônia de abertura está marcada para as 19h, no Cineteatro São Luiz, e contará com homenagens à produtora Emilie Lesclaux e ao cineasta Kleber Mendonça Filho, em reconhecimento à contribuição de ambos para o fortalecimento do audiovisual brasileiro.
A programação deste ano celebra o tema “Fortaleza, 300 anos de luz e cinema” e reúne mais de 45 produções nacionais e internacionais, entre curtas e longas-metragens. As atividades incluem mostras competitivas, sessões especiais, debates, homenagens e ações de formação, com entrada gratuita. As exibições serão realizadas no Cineteatro São Luiz e no Cinema do Dragão.
A abertura do festival terá como primeira atração a exibição de “Sul do Teerã”, curta-metragem dirigido por Kleber Mendonça Filho. A obra acompanha o cineasta iraniano Jafar Panahi durante uma passagem por Nova York, em 2025, quando ele compartilha reflexões sobre sua trajetória profissional e a perseguição enfrentada em seu país de origem.
Em seguida, o público poderá assistir a “Terra Firme”, dirigido por Alexandre Vale, produção brasileira de ficção que abre a Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem. Com 92 minutos de duração, o filme apresenta a relação entre Juca, um menino, e Zé Cangulo, um pescador. Os dois vivem em uma comunidade litorânea marcada pelo isolamento e encontram a possibilidade de transformar suas vidas diante de novos acontecimentos.
No domingo (8), a programação começa às 10h, no Hotel Sonata de Iracema, com um encontro dedicado ao debate sobre “Terra Firme”. Participam da conversa o diretor Alexandre Vale, o protagonista Lisandro Di Prospero e integrantes da equipe responsável pela produção.
Já a partir das 14h, o Cinema do Dragão recebe as sessões da Mostra Olhar do Ceará. A programação reúne os curtas “Vejo você de repente”, de Aída da Costa, “Erô”, de Antônio Fargoni, e “Umbuzeiro”, de Emílio Ribeiro, além do documentário “Douvina”, dirigido por Márcio Câmara. Depois das exibições, os realizadores participam de um bate-papo com o público.
À noite, a partir das 18h, o Cineteatro São Luiz recebe os filmes “Joqueta”, de Luciana Vieira, e “Amargô”, de Giorgio Vinicius Casetta, que integram a abertura da Mostra Competitiva Brasileira de Curta-Metragem. Na sequência, será apresentado “Sob o mesmo sol”, produção dirigida por Ulises Porra, realizada em uma coprodução entre República Dominicana e Espanha.
Entre os homenageados desta edição também estão o jornalista, crítico e escritor Luiz Carlos Merten, que receberá a homenagem no dia 9; a atriz Isis Valverde, no dia 10; e a Vila das Artes, instituição cultural da Prefeitura de Fortaleza que será reconhecida no dia 11 pelos seus 20 anos de atuação. O encerramento, no dia 13, terá uma homenagem à jornalista e professora Luizianne Lins, que também possui ligação com a trajetória do festival e com a produção audiovisual.
Outro destaque da programação será o Encontro Farol de Cinema, marcado para os dias 10, 11 e 12 de novembro, das 14h às 18h, no Hotel Sonata. A iniciativa pretende reunir profissionais, produtores e representantes do setor para discutir os desafios e as perspectivas do mercado audiovisual brasileiro, especialmente nas áreas de produção, distribuição e gestão.
Com acesso gratuito e organizado pelo produtor Roger Pires e pelo diretor do Cine Ceará, Wolney Oliveira, o encontro também pretende construir uma Carta-Manifesto com propostas destinadas ao poder público e à iniciativa privada. A intenção é estabelecer diretrizes e incentivar a continuidade das discussões sobre o desenvolvimento do cinema nacional.
Na disputa pelo Troféu Mucuripe, a Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem apresenta seis produções. Entre elas estão “Terra Firme”, do Brasil; “Sob o mesmo sol”, da República Dominicana e Espanha; “Nunkui”, coprodução do Equador, Chile e Alemanha; “Trapiá, um outro sertão”, documentário brasileiro; “Eu não morrerei de amor”, produção da Espanha e Bélgica; e “Não há ida sem retorno”, do Peru.
A competição brasileira de curtas-metragens contará com 13 filmes de diferentes regiões do país. O Ceará estará representado por quatro produções: “Joqueta”, “Redamar”, “Lena” e “Cassiopeia”. A seleção também contempla trabalhos de Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraíba e São Paulo, com obras de ficção, documentários e animações.
A Mostra Olhar do Ceará, dedicada à valorização do cinema produzido no estado, terá quatro longas-metragens e 15 curtas. Entre os títulos selecionados estão “Douvina”, “O Cio da Terra”, “Adulto/Homem” e “Pessoal do Ceará – Lado A Lado B”. A programação apresenta diferentes abordagens sobre memória, identidade, infância, envelhecimento, questões sociais, movimentos femininos e diversidade cultural.
Parte dos filmes dessa mostra também ficará disponível na plataforma Itaú Cultural Play, entre os dias 7 e 21 de novembro, ampliando as possibilidades de acesso às produções cearenses para espectadores que não puderem acompanhar as sessões presenciais.
O festival contará ainda com quatro exibições especiais. Uma delas será a estreia mundial de “Viver é melhor que sonhar”, dirigido por Eduardo Albergaria. O longa aborda um período pouco conhecido da vida do cantor e compositor cearense Belchior, interpretado a partir da fase em que o artista decidiu se afastar da fama e viver longe dos holofotes ao lado de Edna, seu grande amor. A produção tem previsão de chegada aos cinemas em 3 de dezembro.
Também fazem parte das sessões especiais os documentários “Alucinação”, inspirado no álbum homônimo lançado por Belchior em 1976, e “O projeto”, dirigido por Sabrina Fidalgo e Yvan Rodic, que investiga as consequências históricas do colonialismo europeu. O curta “Sul do Teerã” completa a seleção.
As atividades sociais continuam sendo uma das marcas do Cine Ceará. Nesta edição, estudantes de escolas públicas participarão da mostra O Primeiro Filme a Gente Nunca Esquece, com a exibição de “Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa”. O público da terceira idade será contemplado pela Mostra Melhor Idade, que apresentará “O Auto da Compadecida 2”. Já a Mostra Acessibilidade exibirá “A natureza das coisas invisíveis”, com recursos destinados a ampliar o acesso de pessoas com deficiência.
Além das sessões e atividades paralelas, o festival também reconhece os profissionais e as produções que se destacam no cenário cinematográfico. Os filmes da competição ibero-americana concorrem a prêmios em categorias como melhor longa-metragem, direção, atuação, roteiro, fotografia, montagem, trilha sonora, som e direção de arte, além do Prêmio da Crítica.
O longa vencedor escolhido pelo júri oficial receberá R$ 40 mil, valor destinado à distribuição da obra no Brasil, conforme as regras do festival. Na competição brasileira de curtas, serão entregues troféus nas categorias de melhor filme, direção, roteiro e crítica. Os participantes também disputam o Prêmio Canal Brasil de Curtas, concedido à produção escolhida por um júri de profissionais da crítica e do jornalismo cinematográfico.
Com uma programação diversificada, o 36º Cine Ceará transforma Fortaleza em ponto de encontro para realizadores, profissionais do audiovisual e amantes da sétima arte, reforçando o espaço do cinema brasileiro e ibero-americano no cenário cultural.