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Ceará

Ceará deve ter temperaturas elevadas por conta do inicio do El Niño

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A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente a formação do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A confirmação ocorreu após o registro de temperaturas acima do limite necessário para a caracterização do evento climático.

No Ceará, os impactos mais imediatos devem ser sentidos por meio do aumento das temperaturas, da redução da umidade relativa do ar, da irregularidade das chuvas e da ampliação do risco de incêndios em áreas de vegetação.

A confirmação do fenômeno já era aguardada por especialistas, que vinham acompanhando o aquecimento gradual das águas do Pacífico nos últimos meses. O El Niño é oficialmente reconhecido quando a temperatura média da superfície do oceano apresenta anomalia igual ou superior a 0,5°C em relação aos padrões históricos.

Com a consolidação do fenômeno, meteorologistas seguem monitorando a evolução das temperaturas para determinar a intensidade que o evento poderá alcançar nos próximos meses. De acordo com projeções da NOAA, existe 63% de probabilidade de que o El Niño atinja a categoria de muito forte entre novembro e janeiro, podendo figurar entre os mais intensos registrados desde o início da série histórica, em 1950.

Apesar das previsões, especialistas ressaltam que nem mesmo eventos muito fortes produzem os mesmos efeitos em todas as regiões do planeta. Ainda assim, quanto maior a intensidade do fenômeno, maiores tendem a ser as chances de ocorrência dos impactos climáticos tradicionalmente associados ao El Niño.

Ceará pode registrar temperaturas acima da média

Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), os efeitos mais perceptíveis no curto prazo deverão estar relacionados ao aumento do calor. O segundo semestre, que já costuma apresentar temperaturas elevadas no Estado, pode registrar marcas ainda mais altas em razão da influência do fenômeno.

Modelos climáticos analisados pela Funceme indicam a possibilidade de temperaturas até 2°C acima da média entre os meses de julho e setembro. A tendência ocorre porque o aquecimento do Pacífico adiciona energia à atmosfera, influenciando o comportamento climático em diversas partes do mundo.

A população poderá perceber principalmente tardes mais quentes, especialmente entre 14h e 15h, período em que normalmente são registradas as maiores temperaturas do dia. A expectativa é de que o calor se intensifique a partir de agosto, quando a circulação dos ventos costuma diminuir no Ceará.

Além do aumento das temperaturas, a redução da umidade relativa do ar pode provocar desconfortos à população, como ressecamento das vias respiratórias, tornando a hidratação ainda mais importante durante os meses mais quentes.

Maior risco de incêndios e ondas de calor

As condições associadas ao El Niño também favorecem o aumento do risco de incêndios florestais. A combinação entre vegetação mais seca, menor umidade do solo e temperaturas elevadas cria um ambiente propício para a propagação do fogo.

Outro efeito possível é a ocorrência de ondas de calor, fenômeno caracterizado pela permanência de temperaturas elevadas por vários dias consecutivos em áreas extensas. No Ceará, esses episódios costumam ser mais frequentes entre setembro e novembro.

Intensidade do fenômeno preocupa especialistas

Embora o El Niño seja um fenômeno natural que ocorre em intervalos de aproximadamente dois a sete anos, a atual formação chama atenção pela velocidade com que as águas do Pacífico estão aquecendo.

As projeções climáticas apontam 88% de probabilidade de o fenômeno atingir, pelo menos, a categoria forte até o final do ano. O pico do El Niño normalmente ocorre entre a primavera e o verão do Hemisfério Sul.

A classificação da intensidade é feita por meio do Índice Oceânico Niño (ONI), que mede a anomalia da temperatura da superfície do Pacífico Equatorial:

  • Entre 0,5°C e 0,9°C: El Niño fraco;
  • Entre 1,0°C e 1,4°C: El Niño moderado;
  • Entre 1,5°C e 1,9°C: El Niño forte;
  • A partir de 2,0°C: El Niño muito forte.

O último episódio considerado forte ocorreu entre 2015 e 2016, período marcado por uma das secas mais severas registradas recentemente no Ceará.

Governo reforça monitoramento hídrico

Diante da confirmação do fenômeno, o Comitê Integrado de Segurança Hídrica do Ceará informou que intensificou o monitoramento das condições climáticas e dos recursos hídricos do Estado.

Segundo o comitê, o acompanhamento permanente servirá de base para ações preventivas e estratégias voltadas à redução dos impactos que o El Niño pode causar sobre a disponibilidade de água.

Entre as principais iniciativas voltadas ao fortalecimento da segurança hídrica estão a implantação da Malha d’Água, a duplicação do Eixão das Águas e a continuidade das obras do Cinturão das Águas do Ceará, consideradas fundamentais para ampliar a capacidade de abastecimento e enfrentar períodos de estiagem.

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