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Bactéria marinha encontrada no litoral do Ceará mostra potencial para tratar câncer, segundo pesquisa

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Atividade entre UFC e USP isolou moléculas nas praias da Taíba e de Paracuru (Créditos da imagem: Pexels)

Uma bactéria encontrada em organismos marinhos nas praias da Taíba, em São Gonçalo do Amarante, e de Paracuru, no litoral oeste do Ceará, pode representar um avanço promissor no desenvolvimento de novos tratamentos oncológicos. Cientistas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade de São Paulo (USP) identificaram uma substância capaz de combater células tumorais em testes laboratoriais, alcançando resultados semelhantes aos de quimioterápicos tradicionais.

O estudo foi publicado na revista científica internacional Chemistry and Biodiversity. A pesquisa investigou a molécula piericidina A1, isolada a partir da bactéria Streptomyces (BRA-035). Esse micro-organismo vive associado a zoantídeos do gênero Palythoa – pequenos invertebrados marinhos aparentados com corais e anêmonas que habitam as rochas da costa cearense.

Foco em tumores de alta mortalidade

Embora o potencial antitumoral das piericidinas seja investigado pela ciência desde a década de 1970, o estudo liderado pelas pesquisadoras Katharine Florêncio e Bianca Sahm trouxe uma contribuição inédita de mapear quais tipos de tumores são mais vulneráveis à ação da substância.

Para os testes, os cientistas priorizaram tipos de câncer com altos índices de letalidade:

  • Câncer de próstata: Uma das principais causas de morte por neoplasia entre homens no Ceará.
  • Câncer de ovário: Figura na lista dos dez tumores mais letais do país entre o público feminino.

Como a molécula age contra o câncer

O estudo detalhou o mecanismo de ataque da substância. A piericidina A1 atua diretamente nas mitocôndrias, que são as “usinas de energia” das células. Ao bloquear o funcionamento dessa estrutura, a molécula corta o fornecimento de energia do tumor.

Por conta disso, os cânceres de próstata e de ovário, que são altamente dependentes da respiração mitocondrial, responderam bem ao composto. Por outro lado, o estudo apontou que doenças como a leucemia e alguns tipos de câncer de pele se mostraram resistentes, pois utilizam vias alternativas (como a glicólise anaeróbica) para sobreviver.

Caminho até as farmácias

O desenvolvimento de um novo medicamento a partir de insumos naturais é um processo complexo que costuma levar mais de uma década. Caso as próximas fases de testes, que incluem exames de toxicidade e testes em organismos vivos, comprovem a segurança da substância, ela poderá avançar para a fase de ensaios clínicos em humanos, surgindo no futuro como uma terapia complementar contra o câncer.