Cotidiano
Preocupação com segurança faz cair número de crianças com celular no país, aponta IBGE

Dados da Pnad Contínua mostram recuo na posse de aparelhos entre a faixa de 10 a 13 anos (Créditos da imagem: Pexels)
A preocupação de pais e responsáveis com a privacidade e a segurança digital se consolidou como o principal fator para adiar o acesso de crianças e adolescentes ao primeiro telefone celular. É o que revela o módulo de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgado nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2016, a proporção de crianças entre 10 e 13 anos que possuem celular registrou queda. No último ano, o índice caiu para 55,2% nessa faixa etária, representando um recuo de 1,5 ponto percentual em relação ao ano anterior.
De acordo com o instituto, o grupo de 10 a 13 anos foi o único a registrar retração. Nas demais faixas etárias, o uso de celulares manteve uma rota de crescimento, alcançando 89,8% da população brasileira em geral.
Medo da exposição digital e restrição nas escolas
O avanço do receio familiar com o ambiente digital redesenhou os motivos para os jovens não terem o aparelho. O temor com a privacidade e a segurança foi apontado por 32% dos responsáveis, um salto de 7,8 pontos percentuais em apenas um ano. O indicador quase dobrou desde 2022, ano em que o preço elevado do celular e a falta de necessidade apareciam no topo das justificativas.
Idosos lideram avanço na internet
Em uma direção oposta à das crianças, a população com mais de 60 anos apresentou a maior aceleração na inclusão digital. A fatia de idosos que utilizam a internet saltou para 74,5%, registrando uma alta de 4,4 pontos percentuais em um ano e um avanço impressionante de mais de 29 pontos percentuais na comparação com 2019. O número de idosos que possuem o próprio celular também cresceu, atingindo 80,3%.
Entre a parcela da terceira idade que ainda permanece offline, a principal barreira declarada não é a segurança, mas sim a dificuldade técnica de não saber operar as ferramentas e os aparelhos.