Economia
Ceará tem crescimento no varejo mesmo com alto número de inadimplentes; revela pesquisa
O comércio do Ceará mantém desempenho superior ao registrado no restante do país mesmo diante de um cenário econômico desafiador marcado por inflação em alta e aumento das restrições ao crédito. Entre janeiro e abril de 2026, o varejo no estado avançou 4,3%, mais que o dobro da média brasileira, que ficou em 2%.
Os dados fazem parte da edição mais recente do Radar do Varejo Cearense, elaborado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE) em parceria com o SPC Brasil.
No chamado varejo ampliado, que inclui segmentos como veículos e materiais de construção, o crescimento no Ceará foi de 3,8% no acumulado dos quatro primeiros meses do ano, também acima do índice do país que ficou em 1,8%. Apesar do resultado positivo no período, o setor apresentou leve queda de 0,3% entre março e abril, indicando uma desaceleração pontual.
Segundo a FCDL-CE, o desempenho reforça a resiliência do mercado cearense diante de um ambiente econômico ainda desafiador, com consumo pressionado e maior cautela das famílias.
Segmentos em destaque puxam crescimento
Entre as 11 atividades analisadas pelo IBGE, oito tiveram alta nas vendas no estado no acumulado do ano. O maior avanço foi registrado no grupo de outros artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui lojas de departamento, óticas e artigos esportivos, com crescimento de 10,5% no Ceará, muito acima da média nacional de 1,3%.
Também tiveram desempenho relevante o atacado de alimentos e bebidas, com alta de 7,9%, e o setor de veículos, motocicletas, peças e acessórios, que cresceu 6,2%.
Outros segmentos que registraram aumento foram artigos farmacêuticos e médicos, com 6,1%, móveis e eletrodomésticos, com 5,5%, combustíveis, com 5,1%, supermercados e hipermercados, com 3,3%, e vestuário e calçados, com 1,5%.
Por outro lado, houve retração em áreas como materiais para escritório, com queda de 11,3%, materiais de construção, com recuo de 10,4%, e papelaria e livros, com baixa de 4,8%.
Inadimplência avança e preocupa setor
Apesar do bom desempenho do varejo, o aumento da inadimplência segue como ponto de atenção. Em maio de 2026, o número de consumidores com restrições de crédito no Ceará cresceu 6,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior, embora abaixo da média nacional de 8,9%.
O levantamento também mostra que a dívida média dos consumidores negativados subiu de R$ 4.370 em maio de 2025 para R$ 4.739 neste ano, um aumento de 8,4%.
Além disso, 32,6% dos inadimplentes permanecem com débitos entre um e três anos, enquanto 10,1% estão negativados há menos de 90 dias.
Para a FCDL-CE, o cenário exige acompanhamento contínuo. Apesar do crescimento econômico acima da média nacional, o aumento das dívidas e das restrições de crédito pode impactar o consumo nos próximos meses.