Economia
Ceará tem mais de 3 milhões de inadimplentes; 65% das dívidas podem ser renegociadas no Desenrola 2.0
O Ceará registrou, em março de 2026, um total de 3,76 milhões de consumidores inadimplentes, o que corresponde a 53,27% da população adulta, de acordo com levantamento da Serasa Experian.
Apesar do volume expressivo, nem todas as dívidas podem ser renegociadas no Desenrola 2.0, programa do governo federal lançado na segunda-feira (4). Débitos relacionados a serviços essenciais, como contas de água e energia elétrica, não estão incluídos e representam a maior fatia da inadimplência no estado, com 32,1%.
Por outro lado, a maior parte das dívidas (65%) está concentrada em categorias que permitem renegociação dentro do programa. Entre elas estão compromissos com bancos e cartões (24,5%), financeiras (18,7%), serviços (8,1%), telecomunicações (5,7%), varejo (5,5%), securitizadoras (2,7%) e cooperativas (0,1%).
Especialistas apontam que o endividamento está ligado, principalmente, à manutenção de despesas básicas. A exclusão dessas contas do programa limita o alcance direto da iniciativa, embora a renegociação de outros débitos possa aliviar o orçamento das famílias.
O Desenrola 2.0 contempla dívidas como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. O programa oferece descontos que podem chegar a 90%, juros limitados a 1,99% ao mês, prazo de até 35 dias para início do pagamento e parcelamento em até 48 vezes. Também há possibilidade de utilização de parte do saldo do FGTS, respeitando os limites estabelecidos.
Podem participar pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos. A adesão deve ser feita diretamente com as instituições financeiras.
No perfil dos inadimplentes no Ceará, a maior concentração está na faixa etária de 26 a 40 anos, com 35% dos casos, seguida por pessoas entre 41 e 60 anos. Idosos representam 19,2% do total no estado.
As mulheres são maioria entre os negativados, somando 53,7%. O dado está associado, segundo análises do setor, à maior responsabilidade financeira dentro dos lares.
No cenário nacional, o Brasil soma 82,8 milhões de inadimplentes, o equivalente a 50,5% da população adulta. Em média, cada consumidor possui quatro dívidas, que totalizam R$ 6.728,51.
O cartão de crédito aparece como principal fonte de endividamento no país, sendo responsável por 73% dos casos. Especialistas recomendam cautela no uso dessa modalidade, especialmente em relação ao crédito rotativo, que possui taxas elevadas.