Brasil
Ondas de calor causaram cerca de 120 mil mortes no Brasil em duas décadas, aponta estudo

Altas temperaturas agravam condições médicas preexistentes (Créditos da imagem: Freepik)
Um estudo inédito conduzido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA) revelou que as ondas de calor extremo foram responsáveis por cerca de 120 mil mortes no Brasil entre os anos de 2000 e 2019. A pesquisa realizou uma análise profunda de 19,8 milhões de óbitos por causas naturais em 5.566 municípios brasileiros e constatou que 119.643 mortes estiveram diretamente associadas ao estresse térmico, o que representa uma média de seis mil mortes por ano.
De acordo com o levantamento, o calor excessivo raramente aparece como a causa direta no laudo de óbito. Na verdade, as altas temperaturas funcionam como um gatilho que agrava severamente condições médicas preexistentes de saúde.
Doenças crônicas são agravadas pelo clima
O estudo detalhou o impacto do calor nas principais causas de mortalidade do país. Desse total de óbitos vinculados às ondas de calor, a pesquisa identificou:
- 33.858 mortes decorrentes de complicações cardiovasculares (como infartos e AVCs);
- 24.225 mortes provocadas por crises e doenças respiratórias.
Idosos e mulheres são os mais vulneráveis
O impacto das mudanças climáticas não atinge a população de forma igual. O perfil epidemiológico traçado pela Fiocruz e pela UFBA aponta que os idosos com 65 anos ou mais são as principais vítimas do calor, concentrando aproximadamente 80% dos óbitos registrados na pesquisa.
O estudo também identificou taxas elevadas de vulnerabilidade entre mulheres, pessoas com menor nível de escolaridade e crianças menores de 10 anos. No caso do público infantil, o principal motivo de hospitalização em dias de calor extremo foram os surtos de gastroenterite e diarreia.
Diferenças regionais e necessidade de alertas
Geograficamente, o comportamento do clima variou ao longo das duas décadas analisadas. As regiões Norte e Centro-Oeste registraram as ondas de calor mais frequentes e de maior duração. Já o Sul e o Sudeste enfrentaram episódios mais curtos, porém marcados por picos de intensidade térmica muito agressivos.
Diante desse cenário de crise climática, os cientistas defendem a urgência de políticas públicas de adaptação nas cidades brasileiras, incluindo a criação de sistemas de alerta antecipado para a população e uma maior integração de dados entre os setores de meteorologia e as redes de saúde pública.